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Sons durante o sono podem fortalecer a memória
01. 07. 2010
Muitas pessoas juram que um bom cochilo pode refrescar a memória; de fato, pesquisas confirmam que o que aprendemos acordados pode ser reforçado durante o sono. Recentemente uma equipe da Universidade em Illinois, provou que o cochilo fortalece as memórias individuais com o fornecimento das “deixas” certas.
Em um estudo publicado online, em 20 de novembro, na Science, voluntários tentaram memorizar as localizações específicas de 50 imagens em uma grade em uma tela de computador. Para cada figura, eles ouviram um som característico, como um miado de gato ou um apito de chaleira. Depois cochilaram até 90 minutos.
Sem que os indivíduos que estavam dormindo soubessem, os pesquisadores tocaram alguns dos sons durante o cochilo – um conjunto diferente de 25 sons para cada pessoa. Ao acordar, os participantes repetiram o teste de memória. Dos 12 indivíduos, 10 conseguiram localizar melhor as imagens “com deixa” (aquelas para as quais ouviram os sons enquanto dormiam) do que as “sem deixa”. Os eletroencefalogramas mostraram que os sons estimularam atividade no cérebro durante o sono, sugerindo que as memórias estavam sendo exercitadas naquele momento.
O novo estudo esclarece a pesquisa anterior ao demonstrar que as memórias acompanhadas por uma deixa sensorial são reforçadas. “Sabe-se que o sono pode melhorar a memória em geral, mas as nossas descobertas sugerem que o processamento da memória durante o sono pode ser altamente específico”, diz o autor principal Ken Paller da Universidade do Noroeste.
A pesquisa continua de onde um estudo anterior parou. Conforme consta em relatório na Science de 9 de março de 2007, Jan Born e seus colegas da Universidade de Lubeck, Alemanha, melhoraram o desempenho dos indivíduos em um jogo de concentração usando um dos melhores realçadores de memória – o cheiro. Os participantes memorizaram as localizações de 15 pares de cartas em uma tela enquanto respiravam uma fragrância de rosa. Os indivíduos que sentiram o cheiro de rosa ao dormir naquela noite pontuaram melhor no teste na manhã seguinte – acertaram 97% dos pares, em comparação aos 86% dos indivíduos “sem cheiro”.
Born diz que, devido ao fato de a habilidade do cérebro humano discriminar cheiros não ser muito bem desenvolvida, o cheiro é uma deixa menos precisa que o som. Ao escolher cheiro em vez de sons, o seu grupo procurou evitar a possibilidade de que os participantes que ouviram os sons aprenderam melhor as tarefas por terem acordado com os sons. No entanto, no novo estudo, os registros de eletroencefalograma mostraram que os sons tocados foram leves de modo que não perturbaram o sono dos participantes.
“O estudo de Paller e seus colegas é um bom passo adiante,” diz Born. “Para se estudar sono e memória de forma mais precisa, é necessário deslocar-se para o sistema auditivo, que é muito mais desenvolvido em humanos”.
O estudo também desafia o argumento de que o sono não fortalece a memória através de nenhum processo ativo, diz Bob Stickgold, do Centro de Sono e Cognição do Centro Médico Diaconisa Beth Israel, em Boston. “Alguns pesquisadores ainda acreditam que as memórias recentes simplesmente são protegidas de interferência externa durante o dono porque nada mais está acontecendo – está escuro, os olhos estão fechados e não se está pensando,” diz Stickgold. “Se isso fosse verdadeiro, então as memórias de todos os indivíduos teriam melhorado, não apenas aquelas ligadas aos seus sons”.
Stickgold está impressionado com o fato de que a deixa do som não foi necessária inicialmente para aprender a localização da imagem; o som simplesmente tocava quando a figura aparecia. Mesmo assim, durante o sono, o som por si só foi o bastante para fortalecer a conexão entre os componentes visuais e espaciais da memória.
“Está claro que o cérebro pode reativar uma memória complexa mesmo com apenas uma parte dela,” diz Stickgold. “Nós sabemos que isso acontece normalmente. A pergunta agora é se isso acontece com mais frequência ou com mais eficiência durante o sono.”
“As nossas descobertas abrem uma ampla gama de outras coisas de que gostaríamos de saber,” concorda Paller. A sua equipe começou um novo estudo com imagens funcionais para explorar as partes envolvidas do cérebro. Pesquisa em animais sugere que, no hipocampo – um ponto de conexão da memória no cérebro –, os neurônios ativados quando se aprende uma nova tarefa serão ativados na mesma ordem quando o animal for dormir. No trabalho de Born e colegas, imagens por ressonância magnética funcional mostraram que nova exposição ao cheiro de rosa durante o ano reativou a mesma rede hipocampestre que estava em funcionamento durante a tarefa enquanto se estava acordado – mas em um grau mais elevado.
Paller enfatiza que, apesar de o sono poder contribuir para a memória, não aconselha que o cochilo seja utilizado em vez do estudo. “A nossa descoberta não mostra que o sono é o melhor momento para se aprender. Ela mostra apenas que as memórias são processadas durante o sono da mesma forma que quando acordado.”
Fonte: ://www.webmd.com/brain/news/20091119/sounds-during-sleep-boost-memory

postado por Adriane Bittencourt

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