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Como as crianças aprendem a falar?
12. 01. 2010
Todos nós já tivemos alguma forma de contato com crianças pequenas. A velocidade com que aprendem qualquer coisa nos surpreende, mas você já parou para pensar como as crianças conseguem aprender a falar tão rápido?

Em geral, as crianças não falam até completarem o primeiro ano de vida. Claro que pode haver uma gama de sons característicos, mas que não fazem parte da língua.

É comum pensar que as crianças aprendem a falar imitando os pais, mas, se fosse o caso, só seriam capazes de formular frases que já tivessem ouvido anteriormente e demoraria bastante até que conseguissem a sua “autonomia”.

Além disso, certos erros, como eu fazi, por exemplo, deveriam ter ocorrência muito baixa entre os pequenos falantes. O esforço do adulto em corrigir os erros na fala de uma criança geralmente é em vão.

A criança consegue reproduzir a palavra e/ou fazer a concordância correta, mas volta a falar da mesma forma e antes quando produz o seu próprio texto em outra situação.

O que foi exposto acima ocorre porque as crianças tentam aplicar as regras que percebem nas situações que julgam cabíveis. Fazer é um verbo da segunda conjugação e elas simplesmente o conjugam como tal (caso acima). Em contrapartida, uma criança jamais diz eles comes com intenção de dizer eles comem. Como uma criança que mal consegue amarrar os cadarços pode ser capaz de fazer essa relação sem esforço?

Uma teoria que visa explicar esse caso diz que uma parte do cérebro cuida apenas da aquisição de linguagem (conhecida como dispositivo de aquisição de linguagem, DAL) e de mais nenhum outro processo cognitivo. Seria por isso que as crianças, mesmo sem terem ensino formal da língua e com experiências de vida completamente diferentes umas das outras, conseguiriam adquirir fluência na sua língua materna de modo tão rápido.

No entanto, se realmente há tal parte do cérebro responsável apenas pela aquisição de linguagem, por que os adultos, de modo geral, têm tanta dificuldade para aprender uma língua estrangeira?

Infelizmente, o DAL não fica à disposição do indivíduo durante toda a sua vida. Diz-se que não é mais possível acessá-lo após a lateralização do cérebro, que ocorre na puberdade. É por isso também que há diferença de desempenho no comando de um idioma entre nativos e não nativos. Enquanto os nativos aprenderam o idioma em questão com o apoio do DAL, os não nativos, mesmo que tenham tido estudo formal e imersão total, precisaram aprendê-lo como aprenderiam qualquer outra coisa.

Colocar sal no feijão durante o seu preparo é muito melhor que fazê-lo quando a comida já está no prato.

Sendo assim, o tradutor ideal é aquele que aprendeu duas ou mais línguas com o auxílio do DAL? Não necessariamente. É inegável que uma criança que fale em português em casa e em russo na rua o tempo inteiro tem um potencial incrível para ser um excelente tradutor, mas o que realmente importa é saber como mediar com o mínimo de interferência o que uma cultura quer dizer para a outra.

postado por Nilton José

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